INTRODUÇÃO

O Programa de Mamíferos Marinhos (PMM) da Aquasis estuda os mamíferos aquáticos que ocorrem no CE, com ênfase no peixe-boi marinho, Trichechus manatus, e no boto-cinza, Sotalia guianensis, espécies ameaçadas de extinção e com o maior índice de mortalidade no Ceará.

O Peixe-Boi Marinho

O peixe-boi marinho é um mamífero aquático exclusivamente herbívoro que habita águas costeiras e estuarinas desde o estado da Virginia (USA), até Alagoas, no Nordeste do Brasil.

Encalhe

O Ceará é o estado recordista em encalhes de filhotes recém-nascidos. Isto ocorre devido a falta de locais apropriados para o nascimento de filhotes, como os estuários e manguezais.

Centro de Reabilitação

Desde 2013, os filhotes resgatados são encaminhados para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos para reabilitação, até que possam ser devolvidos ao ambiente natural.

O Boto-Cinza

O boto-cinza é um pequeno golfinho que habita águas estuarinas e costeiras naturalmente abrigadas, desde a Nicarágua, na América Central, até Santa Catarina, no Sul do Brasil.

Ambiente

Por ser uma espécie que tem preferência por águas naturalmente abrigadas, o boto-cinza é encontrado próximo a áreas urbanas, portos, estaleiros, etc. Nestas áreas, a espécie sofre impactos causados pela poluição química e sonora, e pela perda e degradação de habitat, além da pesca acidental que é a principal causa de morte da espécie.

Captura

A principal causa de morte do boto-cinza atualmente no CE é a captura acidental em aparelhos de pesca, principalmente a rede de emalhar. Desde 1992, já foram registrado cerca de 500 botos encalhados mortos .

os botos cinza são indicadores da qualidade dos ambientes costeiros

estratégias de conservação

As estratégias de conservação dos mamíferos marinhos do PMM estão apoiadas em quatro eixos: ações de resgate e reabilitação, pesquisas voltadas para a conservação, políticas públicas e educação ambiental.

O PMM realiza o resgate e a reabilitação de mamíferos marinhos encalhados na costa do CE, e investiga a causa da morte em carcaças encalhadas. Amostras são coletadas para a realização de diversos estudos (contaminantes, genética, dieta, sanidade, etc). Filhotes órfãos de peixes-bois são encaminhados para o Centro de Reabilitação de Mamiferos Marinhos onde, após passar por um processo de reabilitação, serão devolvidos a natureza de preferência em seu local de origem, para que a população possa se reestabelecer. Cetáceos vivos são preferencialmente reabilitados em ambiente natural, como barras de rio e lagoas costeiras.

Estudos etnobiológicos e de ecologia populacional tem sido desenvolvidos em um dos estuários mais bem conservados do NE, o Complexo Estuarino Timonha/Ubatuba e águas costeiras adjacentes (CE/PI). Tais estudos subsidiaram a proposta de criação de um Refúgio de Vida Silvestre inserido na APA do Delta do Parnaíba, de forma a garantir a qualidade de habitat para o peixe-boi e aves migratórias na região, incentivar a pesca artesanal sustentável, combater a pesca predatória e outras atividades humanas danosas ao ambiente. Na divisa do CE/RN, o PMM vem efetuando pesquisas sobre a espécie, suas necessidades ecológicas e as atividades humanas que causam risco para o peixe-boi. Estudos de distribuição espacial, abundância e rastreamento por satélite (em parceria com ICMBio, UERN e Funbio) possibilitaram a proposição da ampliação de 2 APA’s municipais, garantindo a proteção de importantes áreas de alimentação e recursos hídricos para os animais.

O boto-cinza é o cetáceo com o maior índice de mortalidade no Estado do CE. Em 24 anos de trabalho já foram registrados 500 animais encalhados na região costeira. Como apenas uma parcela das carcaças vem dar à praia, o número de botos mortos no litoral cearense chega a números alarmantes. O PMM vem fazendo um esforço para identificar áreas críticas, incentivando a criação de políticas públicas e a mudança de atitude das comunidades. A população de botos que habita a Enseada o Mucuripe (Fortaleza/CE) é uma das mais ameaçadas. Conta com apenas 41 indivíduos, que sofrem com perda e degradação de habitat, poluição e capturas acidentais. A espécie é considerada Patrimônio Natural de Fortaleza, mas pouco tem sido feito pelo poder público para a proteção desta espécie.

O PMM utiliza o monitoramento de praias como uma ferramenta para o registro de encalhes de mamíferos marinhos, tanto em projetos de pesquisa e conservação quanto naqueles relacionados ao licenciamento ambiental. Os indivíduos mortos são recolhidos e, quando em condições, passam por um detalhado exame necroscópico para determinar a causa mortis. Amostras e esqueletos são depositados na Coleção Biológica da Aquasis, que dão suporte a diversos pesquisadores nacionais e internacionais na realização de pesquisas. Animais vivos são encaminhados para reabilitação no CRMM, em ambiente natural ou destinados a outras instituições devidamente licenciadas para tal atividade.

Além de palestras de sensibilização, o PMM oferece cursos e oficinas de primeiros socorros para moradores das comunidades, de forma instruí-los no caso de encalhes de mamíferos marinhos.Também incentivamos eventos nas comunidades, valorizando e resgatando a cultura local e introduzindo o peixe-boi e o boto-cinza como espécies símbolo da conservação do ambiente marinho.

Uma das estratégias de conservação dos mamíferos aquáticos adotadas pelo PMM é o estímulo à criação de políticas públicas que visem proteger as espécies e seus habitats. Duas leis municipais foram criadas para proteção do peixe-boi em Aracati (Lei No. 394 de 2011) e Icapuí (Lei No. 655 de 2015). Já em Fortaleza, a Lei Municipal No. 9949 de 2012 declara o boto-cinza como Patrimônio Natural de Fortaleza, elegendo o dia 04 de Julho como o dia Boto-cinza e dando responsabilidade ao poder público e a coletividade a proteção da espécie e seu habitat. Além das leis municipais, o PMM vem atuando em conjunto com outros projetos da Aquasis na proposta de criação e regulamentação de Unidades de Conservação que visam proteger os mamíferos marinhos e outras espécies que ocorrem na zona costeira do CE.

Em 2010, pesquisadores se reuniram para identificar ações para a conservação do peixe-boi marinho, publicadas em 2011 como um Plano de Ação (PAN de Sirênios) com duração de 5 anos. A Aquasis participou da elaboração e da execução das ações do PAN, bem como do Comitê de monitoramento. Também elaborou, em conjunto com diversos atores, um Plano de Ação local para os municípios de Beberibe, Fortim, Aracati e Icapuí. A instituição participou da elaboração e do monitoramento do PAN de Pequenos Cetáceos, que contam com diversas ações voltadas ao boto-cinza e outros cetáceos que ocorrem no litoral cearense.

Nossa Equipe

Carol Meirelles

Carol é Doutora em Ciências Marinhas Tropicais pela UFC. Coordena o PMM desde 2008, trabalhando com pesquisas sobre a ecologia populacional e espacial do boto-cinza e do peixe-boi marinho.

Cristine Negrão

Bióloga pela UFC e uma das fundadoras da Aquasis, sendo da atual Diretoria da instituição. Trabalha com pesquisa do peixe-boi marinho no litoral leste do Ceará, principalmente na região de Icapuí.

Vitor Luz Carvalho

Vitor é Veterinário pela UECE com doutorado em Microbiologia Médica pela UFC (2015). Tem experiência nas áreas de parasitologia, microbiologia, anatomia patológica e clínica médica de mamíferos aquáticos.

Antonio Amancio

Amâncio é Biólogo pela UVA (2011). Trabalha na Aquasis desde 2001, onde iniciou suas atividades com mamíferos marinhos integrando a equipe de resgate do PMM. É Coordenador de Resgates e Curador da Coleção Osteológica do PMM.

Katherine Fiedler Choi Lima

Bióloga Marinha pela UNISANTA (2004) e Mestre em Ciências Marinhas Tropicais pela UFC (2011). Atua desde 2005 como pesquisadora e membro da equipe de resgate do PMM.

Amanda Oliveira

Bióloga pela UFC e membro da equipe de resgate e reabilitação. Iniciou os trabalhos como voluntária em 2010. Como estagiária, desenvolveu atividades de Monitoramento por ponto-fixo, telemetria satelital e sobrevoo para contagem de peixes-bois.

Wenderson

Tratador do CRMM. Conheceu a Aquasis quando participou do Projeto Brigada da Natureza, aos 13 anos. Também participou de trabalhos limpeza e montagem de esqueletos na Aquasis, como auxiliar do biólogo Amâncio.

Guilherme

Tratador do CRMM desde fevereiro de 2016. É responsável pela alimentação e oferta de água doce aos animais. Sempre realiza suas atividades com muito cuidado e carinho e está sempre atento ao comportamento dos animais.

Neto

Responsável pela qualidade da água dos recintos de peixes-bois do CRMM. Dedica-se diariamente para manter todos os padrões (físicos, químicos e biológicos) desejados para que os animais possam crescer em um ambiente saudável.

Ivonaldo

Sr. Ivonaldo é um dos funcionários mais antigos do CRMM e um dos mais sérios e dedicados. É responsável pela limpeza e organização dos espaços, bem como de pequenos reparos na estrutura.

Mr. Francisco

O conhecimento em jardinagem foi adquirido com o pai. Junto com Seu Ivonaldo, é responsável por cuidar dos espaços verdes da Aquasis. Trabalha também com a produção de mudas de árvores nativas.

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/pmmaquasis

pmm@aquasis.org

(85) 3113-2137/ (85) 99800-0109

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